Inaugurada Adega do Palácio Marquês de Pombal

Inaugurada Adega do Palácio Marquês de Pombal

07 jun 2013
  • Cultura
  • Vinho
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Dar resposta à necessidade de instalar a Adega do Vinho de Carcavelos e, paralelamente, à intenção de restauro do edifício, dos jardins do palácio e da quinta pombalina, essencial para lhes devolver monumentalidade e dignidade, foram os objetivos que estiveram na base da elaboração do projeto de requalificação do Núcleo de Promoção Agrícola da Quinta do Marquês de Pombal, em Oeiras. O edifício objeto da intervenção data do século XVIII e está classificado pelo IGESPAR como Monumento Nacional, no âmbito do Plano de Salvaguarda do Património Construído e Ambiental do Concelho de Oeiras. Trata-se do piso térreo do edifício que albergava as antigas instalações agrícolas do palácio e que era utilizado como zona de estágio em madeira. Essa zona tinha como função envelhecer o vinho de Carcavelos, armazenado em balseiros e barricas de diversos tipos de madeira. Os parâmetros necessários para um correto envelhecimento do vinho advêm das baixas amplitudes térmicas anuais e elevada humidade relativa que este edifício apresentava. A manutenção da temperatura constante era conseguida graças à orientação do edifício, com as fachadas sul e poente protegidas pelo sol, e à presença de uma nascente que garantia a manutenção do alto teor de humidade no interior. Este edifício foi, durante muitos anos, utilizado como centro de formação pelo Instituto Nacional de Administração (INA), que para tal adaptou o espaço, tendo sido construídas paredes divisórias em alvenaria simples e dupla, pavimentos em betonilha revestidos a tijoleira e lã-parquet, pavimentos falsos em estrutura metálica com revestimentos do tipo epóxi no pavimento em pedra original, instalações sanitárias, rede de esgotos e águas, equipamentos de climatização, instalações elétricas e informáticas, entre outras, sem o devido cuidado de integração e necessário respeito pelo património histórico.

A obra agora levada a cabo contemplou a demolição de todos os elementos construtivos executados nos últimos anos que descaracterizaram o edifício, nomeadamente as paredes divisórias e respetiva compartimentação, bem como de todos os pavimentos sobrelevados, de forma a repor o espaço na sua forma original. O projeto de requalificação previu a execução de obras de restauro, tendo em consideração a conservação da autenticidade do bem patrimonial, de forma devolver o seu estado original através da reparação e reabilitação dos elementos danificados e degradados, limpeza, lavagem e escovagem das cantarias originais, reparação e pintura de paredes e tetos em abobadilha com a utilização de argamassas adequadas. A intervenção efetuada pretendeu devolver a este espaço a sua função inicial, tirando partido das suas características naturais, excelentes para o envelhecimento do vinho de Carcavelos Reposto o espaço na sua forma original foi necessário criar condições para a instalação da adega, através da montagem de um sistema de iluminação (luz cénica e luz de trabalho) e da criação de uma sala de prova, na zona junto aos tanques.

De assinalar que a obra foi executada essencialmente por administração direta da Divisão de Equipamentos Municipais e da Direção Municipal de Obras e Ambiente, ou seja, com meios humanos, materiais e equipamentos da Câmara Municipal de Oeiras. Os trabalhos, que decorreram em duas fases, prolongaram-se durante cerca de cinco meses. Tendo em conta a preocupação com o respeito pelos elementos originais do edifício e com a sua preservação, todos os trabalhos de demolição e requalificação foram executados com minúcia, de forma manual e sem recurso a ferramentas elétricas, encarados como um verdadeiro trabalho de ‘arqueologia’. A obra representou um investimento na ordem dos 125 mil euros, contemplando trabalhos realizados por empreitada exterior (cerca de 40 mil euros), fornecimento de bens e serviços (cerca de 65 mil euros) e mão-de-obra dos trabalhadores do Município (cerca de 18 mil euros).