Lauro António e Pacheco Pereira em Oeiras para falar de “Livros Proibidos”

Lauro António e Pacheco Pereira em Oeiras para falar de “Livros Proibidos”

20 abr 2016
  • Cultura
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O 3º Ciclo do projeto “Livros Proibidos” é subordinado ao tema “Livros Proibidos em Portugal. Estado Novo”. O objetivo é tentar dar uma visão suficientemente abrangente, capaz de apresentar o leitmotiv

que presidiu à proibição e censura no Estado novo.

A “Manhã Submersa”, de Vergílio Ferreira, foi a obra em destaque na sessão do mês de abril, sendo o convidado deste encontro o cineasta Lauro António, com a moderação de Nicolau Santos.

A obra, de 1954, é baseada em aspetos autobiográficos dos tempos de adolescência do autor no Seminário do Fundão, retratando a vida de um adolescente no mundo austero do seminarismo.

Um lugar retratado como uma prisão, local de clausura, símbolo de terror e do exercício de um poder déspota e totalitarista, reproduzindo mentes acéfalas, disciplinadas e acríticas, são motivos suficientes para

ser sancionado pelos agentes do Estado Novo, na defesa dos valores da ditadura.

Foi precisamente Lauro António que realizou a adaptação da obra para cinema, com o título homónimo, em 1980, com Vergílio Ferreira no papel principal, na figura do Reitor do Seminário. O filme ganhou alguns prémios e foi selecionado para o óscar de melhor filme estrangeiro.

No mês de maio foi a vez de José Pacheco Pereira vir até ao Auditório da Biblioteca Municipal de Oeiras para falar sobre o seu livro “As lutas operárias contra a carestia de vida em Portugal: a greve geral

de 1918”.

O encontro, moderado por Ricardo Costa abordou este texto, publicado em 1971, que marca a estreia literária de José Pacheco Pereira. Trata-se de um estudo sobre a História Portuguesa, no que diz respeito

às características gerais do proletariado português e dos movimentos operários entre 1871 e 1918, ano em que terminou a I Grande Guerra Mundial.

Um ano atípico, de grande violência em Portugal, que contraria a ideia amplamente difundida de que Portugal é um país de brandos costumes.

Este livro seria apreendido e proibido de circular pela PIDE, a qual pouco depois, instaurou um processo ao autor.