Município financia restauro da Igreja de S. Pedro de Barcarena

Município financia restauro da Igreja de S. Pedro de Barcarena

22 set 2017
  • obras municipais

A Câmara Municipal de Oeiras colabora, desde há alguns anos, com a Fábrica da Igreja Paroquial de S. Pedro de Barcarena nas acções de conservação e restauro do templo. Apoio financeiro ascende já aos 700 mil euros.

A Igreja de S. Pedro de Barcarena é constituída por dois corpos: nave e capela-mor.

Na sequência das reparações executadas no exterior – cobertura, restauro das fachadas com os respectivos frontões e torres sineiras, incluindo a reparação dos vãos exteriores em madeira e o conjunto de sinos – a Câmara Municipal celebrou, com a Fábrica da Igreja, um protocolo tendo em vista o financiamento da realização de trabalhos de conservação no interior.

Neste âmbito, foi feito um diagnóstico/proposta de tratamento para o restauro e conservação do tecto da nave, nomeadamente da pintura em tela que o cobre e das paredes em arco que o delimitam.

Paralelamente decorreram diversas acções de conservação e salvaguarda em algumas zonas do interior da igreja, de que são exemplos a desinfestação de madeiras e a recuperação (salvaguarda) do camarim do retábulo–mor.

Foi feita a intervenção no tecto da nave central e nas paredes dos arcos separadores.

No primeiro caso o suporte da pintura é tela de linho pregada ao longo das tábuas de madeira que se desenvolvem no sentido do eixo principal da Igreja, formando uma abóbada de berço, que constitui por sua vez o suporte rígido da pintura (datada de 1878).

No segundo o suporte é pedra e estuque sobre alvenaria, e tela em grade, sobre alvenaria e pedra.

Sobre o arco cruzeiro para a capela-mor, o suporte da pintura conjuga a tela sobre grades, cujo formato segue a linha do arco interior em pedra, e a pintura sobre estuque.

Estas gradesservem de suporte das pinturas, que ‘forram’ esse vazio estrutural.

No arco do coro alto, da parede charneira como exterior, bem como na zona central da parede do arco que se lhe opõe, a pintura é executada sobre um suporte diferente do restante. O revestimento mural da parede terá sido, ao que se supõe, aproveitado do anterior.

Desconhece-se a data da construção deste templo religioso mas surgem referências sobre a sua existência em 1369. Parcialmente destruída aquando do terramoto de 1755, a Igreja de S. Pedro de Barcarena mantém as características que remontam à reconstrução, em 1763: os tectos foram madeirados, a sacristia alargada, a casa das irmandades aumentada, a torre do lado sul foi reconstruída e a do lado norte construída na totalidade. A igreja,propriamente dita, é constituída por dois corpos: nave e capela-mor.

Registe-se que a Igreja de S. Pedro de Barcarena é um monumento patrimonial concelhio, cuja pintura decorativa constitui um exemplar que se impõe conservar e preservar.

Embora possuísse cores em muito bom estado, quanto à sua vibração e coerência, as anomalias relacionadas com a entrada de água afectaram a sua correcta leitura, impossibilitando ao observador desfrutar da sua beleza.

No entanto, não era apenas a nível macroscópico que tais anomalias tinham repercussões, o mesmo acontecendo nas estruturas mais microscópicas da pintura.

Por outro lado, no decurso da intervenção constatou-se que a situação existente era bem mais extensa e precária do que o diagnosticado, pondo em causa a própria estabilidade do tecto, o que obrigou a esforços complementares ao inicialmente estimado, no sentido de que as anomalias existentes fossem devidamente corrigidas e rectificadas.

Os trabalhos foram executados por uma equipa especializada, tendo sido integralmente financiados pela Câmara Municipal, nos termos do protocolo celebrado para o efeito.

Entretanto, estão em curso os procedimentos para a celebração de um aditamento a esse protocolo, com vista ao financiamento do tratamento da pintura mural das paredes laterais da capela-mor e nave da igreja (incluindo acima e abaixo do coro alto) e dos retábulos.

Maiores Informações:

Igreja São Pedro de Barcarena

Lg. 5 de Outubro, Barcarena

Época de Construção: Séc. XIII

Cronologia: Remodelada e ampliada no séc. XVIII