Quinta dos Aciprestes - reabilitação da Capela de Nª Sra. do Rosário

Quinta dos Aciprestes - reabilitação da Capela de Nª Sra. do Rosário

01 dez 2015
  • obras municipais

 

A capela, construída na transição do século XVII para o XVIII, encontra-se anexa ao palácio da quinta dos Aciprestes, claro exemplo das quintas dos arredores de Lisboa. O portão de entrada, muro e o pátio adjacente à mesma, bem como o celeiro/armazém agrícola permanecem como o núcleo mais antigo e ainda num estado original do antigo Casal Grande da herdade da Ninha que esteve na origem do nome de Ninha-a-Velha hoje Linda-a-Velha.

A conceção da capela é atribuída ao arquiteto Luís Nunes Tinoco (1642-1719), nomeado em 23 de junho de 1690 mestre arquiteto das Obras do Real Mosteiro de São Vicente de Fora em Lisboa. Por essa altura casa uma das suas filhas, Maria Aguiar de Miranda, com o proprietário da quinta Francisco Miranda Soares. Tinoco foi o responsável pelo altar barroco da Capela-mor de S. Vicente, encomendado pelo rei D. João V. Ocupou o cargo até à morte. Em 1955 a casa grande da quinta dos Aciprestes estava muito arruinada, sendo demolida e construída uma nova residência apalaçada com projeto do arquiteto Raúl Lino.

O projeto incluía a manutenção e o restauro da capela de Tinoco, tal como a conhecemos na atualidade. O interesse histórico e patrimonial que a mais antiga capela de Linda-a-Velha revelava, tendo em conta a intervenção de dois arquitetos de renome e o facto de se encontrar muito degradada, pelos seus mais de 300 anos de vida, aconselhavam um projeto e obra de igual alcance e responsabilidade. A capela apresentava na fachada poente uma grande fissura na vertical que abrangia parte da abóboda, além de rebocos e pinturas exteriores inadequados, assim como azulejos degradados e em falta, pinturas decorativas adulteradas e danificadas.

A obra decorreu desde finais do ano passado com a articulação de diversas especialidades como a pintura de retábulo de altar, de fresco, a execução de esgrafitos decorativos, a recuperação de azulejos e cantarias. Em simultâneo foi necessário proceder a reforços estruturais, à substituição dos rebocos e revestimentos interior e exteriores degradados, à melhoria geral da cobertura e sua drenagem. Foram também embutidos todos os diversos cabos elétricos que se encontravam à vista.

Durante as obras ficaram a descoberto, na fachada da frente, umas peças circulares de pedra em forma de mó que se supõe serem os apoios de um alpendre que terá existido anteriormente, para proteção ao janelão e porta de entrada na capela. A intervenção no âmbito da salvaguarda do património histórico foi da responsabilidade da Divisão de Projectos Especiais/NP, unidade orgânica a quem está atribuído, dentro do DHRU, o desenvolvimento de projetos de equipamentos municipais, culturais e museológicos. A intervenção ora terminada permitirá que este equipamento religioso volte a ser usufruído pela população de Linda-a-Velha e por todos os interessados no seu património histórico e cultural. A capela é propriedade da Câmara Municipal de Oeiras e está integrada na quinta dos Aciprestes no centro de Linda-a-Velha.