Vanguarda de Noronha da Costa no CAMB

Vanguarda de Noronha da Costa no CAMB

26 set 2013
  • Cultura
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O Centro de Arte Manuel de Brito, em Algés, apresenta, até 23 de fevereiro próximo, uma exposição de trabalhos da autoria de Luís Noronha da Costa, obras de 1967 a 1974, quando o artista tinha entre 25 e 32 anos. Arquiteto de formação, pintor e cineasta, consciente do tempo em que vive, interessa-se pela tecnologia e reflete sobre as possibilidades de recriar a pintura. É um dos primeiros artistas a usar a fotografia como suporte para a pintura, faz filmes, vídeos e instalações estando a par com a vanguarda internacional. Em 1969 foi escolhido para representar Portugal na Bienal de S. Paulo e em 1970 participou na Bienal de Veneza. Em 1975 o seu filme À Procura do Espaço – Pátria Perdida foi exibido na Cinemateca de Paris. Os seus trabalhos recorrem à linguagem cinematográfica e exibem influências do barroco e do romantismo alemão. Murnau, Hitchcock, Terence Fisher, Visconti, Godard e Polanski, no cinema, e Caspar David Friedrich, Cézanne, Magritte e Mark Rothko, na pintura, são alguns dos seus mestres. A pintura feita com uma pistola de pulverização cria um plano tridimensional e um distanciamento que torna as imagens difusas como se flutuassem. Usa a técnica do sfumato desvanecendo as paisagens e as figuras de mulher que parecem aparições, inatingíveis. A vertigem da luz, a atração pela noite, a procura da invisibilidade, o mar, os desastres e os naufrágios são temas recorrentes. Não mais representar coisas, mas apresentar as suas imagens na verificação de que as imagens são a antítese das coisas, o ecrã transparente através do qual vemos a realidade. Assim define Noronha da Costa o seu conceito de pintura.