Conservar e preservar o património

Conservar e preservar o património

22 jun 2017
  • Turismo
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PRESERVAR E CONSERVAR O PATRIMÓNIO DE OEIRAS É UMA TAREFA SEM PRAZO DEFINIDO

 

Qual a razão de conservarmos o património?

Comecemos pela própria palavra conservar, que deriva do latim conservare, cujo significado é o de 'fazer durar; guardar cuidadosamente; manter em bom estado'. Significados que ilustram e definem bem o nosso propósito de trabalho.

O Palácio Marquês de Pombal, classificado como Monumento Nacional, tem constituído nos últimos tempos, o centro das nossas atenções, pois estamos cientes das responsabilidades que nos competem para levar a cabo um plano de salvaguarda e conservação do bem cultural que herdámos.

É neste contexto, que nos deparámos com múltiplos fragmentos, espalhados pelo edificado, em madeira, bronze e pedra, que pareciam fazer parte duma grande peça, cujo sentido e valor não era percetível então. A procura da sua identidade e constituição, e dado o seu mau estado de conservação, levou-nos a cruzar caminho com uma instituição especializada em conservação e restauro de património, que procurava o paradeiro duma peça de mobiliário francês de grande qualidade – a Fundação Ricardo Espirito Santo Silva (FRESS), em Lisboa.

Assim, em 2008, reunidos e identificados os muitos fragmentos, estes foram entregues ao departamento de Conservação e Restauro, desta instituição que, num processo longo, moroso e complexo, que envolveu um aturado trabalho de pesquisa e um meticuloso trabalho de restauro, nos revelou sermos proprietários duma emblemática obra da afamada Maison Fourdinois, sediada em Paris. Trata-se dum aparatoso Fogão de Sala, da segunda metade do século XIX, que acabaria por fazer parte da história deste palácio, pela mão do seu segundo proprietário, Artur Brandão. O trabalho de conservação e restauro, agora terminado, permitirá devolver a esta Casa uma importante e relevante peça de mobiliário, embora ainda pouco conhecida, mas que, certamente, constituirá um foco de atração.

Estabelecida uma relação de confiança entre o Município de Oeiras e a FRESS, avançámos para um outro projeto: o de estabilizar e consolidar o património artístico de uma das salas mais simbólicas do palácio, a Sala da Concórdia, que se destaca pelo seu exuberante trabalho de fingidos em estuque, patenteando diversas técnicas, sendo de realçar a pintura mural no centro do tecto, com a representação dos obreiros desta Casa de Oeiras – os três irmãos Carvalho, conjunto que apresentava manifestos sinais de degradação.

Concluída esta intervenção com sucesso, em finais de 2015, a nossa maior apreensão vira-se, agora, para os muitos painéis azulejares, de diversos períodos do século XVIII, de grande qualidade artística e patrimonial, que apresentam diversas patologias e fragilidades, que os tornam vulneráveis e a exigirem uma intervenção de conservação e restauro, a curto prazo, particularmente os do piso térreo.

Conservar é assim a missão de fazer durar, guardar cuidadosamente e manter em bom estado o nosso património, revelando-se um trabalho sem fim à vista, que exige um permanente rigor, disciplina, método e muito entusiamo.

Afinal, o nosso propósito é o de mantermos vivos os elos que nos ligam ao passado e que fortalecem o nosso sentido de pertença e identidade a um lugar – o de Oeiras.

 

Artigo da autoria de Maria Alexandra Fernandes

Saiu originalmente na revista Oeiras em Revista nº 115