O espólio do Palácio dos Arcos chega ao Arquivo Municipal

O espólio do Palácio dos Arcos chega ao Arquivo Municipal

18 nov 2013
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Propriedade do terceiro Conde de Arrochela e Castelo de Paiva, José Martinho de Arrochela e Castelo de Paiva, o Palácio dos Arcos, construído no século XV, é conhecido pela sua tonalidade amarela e pelos seus dois torreões ligados por uma varanda sustentada por três arcadas. O seu último proprietário, guardião de um espólio que foi sendo construído ao longo de seis séculos de história, legou-o ao Município de Oeiras, tendo este ingressado no Arquivo Municipal. Sem qualquer inventário ou guia que descreva os documentos, oriente a sua organização ou retrate a sua ordem original, a intervenção sobre estes iniciou-se por uma limpeza e higienização para eliminação de qualquer infestante existente, no sentido de prevenir o contágio dos restantes documentos à guarda do Arquivo Municipal. Assim, os documentos foram isolados numa bolha de filme plástico, de onde é retirado o oxigénio e é introduzido azoto que elimina os microrganismos. Terminado o período de isolamento, iniciou-se o inventário preliminar de identificação, a par do acondicionamento dos documentos, de forma a garantir a sua conveniente conservação.

Em termos gerais, o espólio é composto por documentos manuscritos, impressos, fotográficos, postais, partituras, plantas e estudos geológicos em várias línguas. Com um período cronológico que se inicia no século XIV e vai até ao século XX, ali foram encontrados documentos de natureza notarial, como escrituras venda de terras e casas ou de casamento, processos de aforamento, testamentos, instrumentos de quitação; cadernos de estudo de matérias escolares; livros de registo de despesas com obras ou imóveis, e outros documentos financeiros, como recibos de despesa ou subscrições de capital ou de aquisição de ações. Foi já identificada também, por exemplo, uma petição para a construção de um jardim em Paço de Arcos que proporcionasse um espaço de lazer às populações locais, correspondência privada da família, de membros da nobreza ou institucional e outros documentos relacionados com dotes, concursos de dotes, fichas bibliográficas, álbuns de postais de viagens realizadas, processos de penhora ou álbuns fotográficos. Finda esta fase proceder-se-á a uma descrição e relacionamento possíveis da documentação identificada com o objetivo de descrição integral do legado que foi deixado ao Município. A enumeração feita atrás pretende apenas constituir-se como o destapar de um véu que esconde ainda muitas surpresas.