Sala da Concórdia do Palácio Marquês de Pombal foi restaurada

Sala da Concórdia do Palácio Marquês de Pombal foi restaurada

01 fev 2016
  • obras municipais
  • Cultura
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O Palácio Marquês de Pombal é uma construção formada por dois corpos distintos: o denominado 'Quarto Velho', edificado no início do século XVIII, em estilo barroco – joanino, herdado em 1737, por Sebastião José de Carvalho e Melo que o ampliou, a partir da construção da capela da casa, com orago a Nª Sª das Mercês, ao anexar um corpo de características arquitetónicas mais austeras e leves, em estilo pombalino, identificado como 'Quarto Novo'. Neste espaço um particular destaque para as artes aplicadas, especialmente o gracioso trabalho de estuque de paredes e tetos, atribuídos à oficina de João Grossi, onde se evidencia a Sala da Concórdia - Espaço de entrada do quotidiano familiar que ostenta no teto uma das mais relevantes criações desta casa: a representação dos seus três obreiros – Sebastião José de Carvalho e Melo (político), Paulo António de Carvalho e Mendonça (religioso) e Francisco Xavier de Mendonça Furtado (militar), num abraço infinito e fraterno, com a legenda Concordia Fratrum, uma pintura mural atribuída a Joana do Salitre.

Somos, assim, herdeiros de um património, de uma casa e de muitas memórias. Temos consciência como o tempo causa erosão nos bens e nas memórias, exigindo um permanente olhar atento e zeloso, como verdadeiros 'cuidadores' desta casa, com o propósito de prevenir situações de risco. Muito há ainda a fazer, bem sabemos.

 

Neste sentido, têm sido levadas a cabo diversas obras de melhoramentos do edificado, como já foi publicamente divulgado em edições anteriores, mas, neste momento, e sendo necessário dar início a uma campanha de conservação e restauro, o Núcleo de Património Histórico e Museológico da Divisão de Cultura e Turismo, promoveu uma primeira intervenção na Sala da Concórdia, espaço simbólico e enigmático, que patenteia uma grande diversidade de técnicas nos fingidos dos estuques das paredes e teto, que evidenciavam alguns sinais de degradação. Assim, o nosso objetivo primordial foi o de travar, consolidar e devolver o aspeto original desta sala, garantindo a preservação e integridade futura deste património de excelência das artes decorativas do século XVIII. De modo a concretizarmos este nosso objetivo, contámos com a vasta experiência e saber da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva que, após visitas ao local, efetuou uma avaliação do estado de conservação desta sala e apresentou uma proposta de tratamento e respetivo orçamento. Os trabalhos decorreram ao longo dos meses de novembro e dezembro de 2015, tendo sido destacadas duas técnicas desta instituição que, com paciência e mestria, conseguiram o restabelecimento e a estabilidade do conjunto pictórico dos estuques, respeitando a sua integridade material, histórica e artística. A reconstituição de memórias é um processo fundamental na construção da nossa relação com o passado e na criação dum sentimento de pertença e de identidade.

Temos consciência como o nosso património constitui um repositório de memórias dum tempo que pretendemos continuar a preservar e a divulgar.