V Jornadas de História, Filosofia Hermética e Património Simbólico

Oeiras

20/02/2021 a 20/02/2021

Online

Gratuito

20 de Fevereiro de 2021
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O Quinto Império é um conceito que vem da tradição rabínica hebraica, a partir do livro do profeta Daniel, e que designa a culminação da História numa era e reino messiânicos. A sua interpretação foi cristianizada e passou a designar o Reino de Cristo na Terra, cuja mediação foi atribuída a várias nações.

Foi um tema recorrente no século XVII, nomeadamente em Inglaterra, no movimento dos Fifth Monarchy Men, e em Portugal, com representantes tão diversos como o rabino português Menasseh ben Israel (fiel a uma interpretação judaica), Frei Sebastião de Paiva e o Padre António Vieira.

O Quinto Império já é, todavia, referido implicitamente nos Lusíadas de Luís de Camões, lançando raízes no messianismo, milenarismo e profetismo portugueses.

No século XX, com a publicação da Mensagem de Fernando Pessoa em 1934, e com a obra de Raul Leal, o conceito ganha novas dimensões, sendo visto como um império de síntese cultural e espiritual e o advento de uma nova civilização, mediada pela cultura portuguesa. Raul Leal estabelece pontes com a tradição paraclética do Império do Espírito Santo, que serão desenvolvidas por Agostinho da Silva e Natália Correia, entre outros.

No próximo dia 20 de fevereiro serão emitidas online as V Jornadas de História, Filosofia Hermética e Património Simbólico, no Facebook das Bibliotecas Municipais de Oeiras.

Nestas «Jornadas», especialistas de campos de investigação da História, da Filosofia, da Literatura, da Antropologia e dos estudos das Religiões irão debruçar-se e refletir sobre a tradição, a profecia, o mito e a(s) utopia(s) do V Império, na sua diversidade de conotações e desenvolvimentos, procurando compreender e responder a diversas questões.

 

Trata-se de afirmar a literalidade da profecia e do mito? De um sonho imperialista? De um projeto nacionalista?

Ou, por outro lado, trata-se de uma alegoria, de um símbolo de uma vocação espiritual e universalista, a de “sermos tudo”?

O que pode significar hoje esta noção de V Império enquanto agente mobilizador de pessoas? E em que direções?

 

Programa

 

10h30 - Abertura
Rui Lomelino de Freitas (Un. Lusófona): Gnose, Esoterismo e V Império: Questões Científicas e Epistemológicas
Paulo Mendes Pinto (Un. Lusófona): V Império: Desafios e Usos Contemporâneos

 

11h30 – Mesa 1
Miguel Real (Escritor e ensaísta): As visões cosmopolitas do V Império em Pe. António Vieira e Fernando Pessoa.
Fabrizio Boscaglia (Un. Lusófona): O V Império e o Islão

 

14h30 – Mesa 2
Nuno Gonçalves (Fac. Letras - UL): O arquétipo meta-histórico do Império, a nostalgia do impossível e a vocação para a universalidade
José Eduardo Reis (Un. Trás os Montes e Alto Douro): A utopia do V Império ou o princípio da razão da esperança

 

16h30 – Conferência de Encerramento:
Paulo Borges (Fac. Letras - UL):  Irrupção divina e desconstrução da civilização: uma nova  leitura do V (não-) Império