
Fábrica de Cerâmica de Montargila
A Fábrica de Cerâmica de Montargila constitui um dos mais relevantes testemunhos da atividade industrial no concelho de Oeiras, particularmente no contexto de expansão que marcou a segunda metade do século XIX e o início do século XX.
Fundada em 1897, no sítio da Maruja, por José Joaquim de Almeida Junça, a fábrica teve origem na experiência anterior do industrial com a Fábrica de Cerâmica da Fonte Santa, criada em Lisboa em 1882. Aí se desenvolveu uma produção diversificada de materiais cerâmicos, desde tijolos e telhas a peças decorativas, estabelecendo as bases técnicas e comerciais que viriam a sustentar o projeto de Montargila.
A escolha do local para a instalação da nova unidade industrial, nos nossos dias a antiga casa original em plena Rua João Chagas, freguesia de Linda-a-Velha, deveu-se essencialmente a fatores estratégicos. Contribuíram assim os fatores determinantes tais como, a disponibilidade de terrenos, a abundância do barro de Algés de elevada qualidade, o acesso à água e a proximidade à cidade de Lisboa, em plena expansão urbana.
Neste contexto, a Fábrica de Montargila afirmou-se como uma importante produtora de materiais de construção, acompanhando o crescimento da região, em particular da frente ribeirinha de Oeiras.
Ao longo de mais de seis décadas de atividade, a fábrica conheceu um percurso de crescimento e consolidação. Em 1906, foi aprovado um projeto de ampliação das instalações, apresentado por Emília Reis de Almeida Junça, viúva do fundador. Posteriormente, em 1945, foi construído um bairro operário contíguo, refletindo a relevância económica e social da unidade.
A qualidade da produção foi também reforçada pela colaboração com artistas de renome, como o pintor e mestre azulejista José Estevão Cacella Vitória, contribuindo para a valorização estética dos produtos cerâmicos.
Do ponto de vista arquitetónico, o edifício principal, com fachadas em tijolo vermelho, características singulares e idênticas ao edifício da Central Tejo em Belém, mantém até hoje uma forte presença urbana, constituindo um importante marco da paisagem. A área envolvente acabou por adotar o nome do seu fundador, passando a ser conhecida como Junça.
Após o encerramento da atividade industrial, mais recentemente o conjunto foi requalificado, passando a acolher o Le Art Clinic – Centro de Arte. Esta reconversão permitiu preservar o edifício e a sua memória histórica, atribuindo-lhe uma nova função cultural e garantindo a continuidade da sua relevância no contexto urbano contemporâneo.
Fábrica de Cerâmica de Montargila
Sítio da Maruja, a nascente da estrada que liga Algés a Linda-a-Velha





